Conteúdos 01/08/2025

YouTube anuncia mudanças em seu mecanismo de curadoria de tendências

A aba "em alta" deixa de existir. As mudanças foram anunciadas pelo YouTube em julho de 2025

O YouTube anunciou recentemente uma mudança importante em sua estratégia de curadoria de tendências, substituindo a tradicional aba "Em Alta" (Trending) por um sistema por categoria que aparentemente se chamada Charts. Esta transformação representa uma reformulação conceitual da curadoria feita pela plataforma. Para compreender o impacto desta mudança, é fundamental analisar tanto o conceito de curadoria de tendências quanto a evolução dos mecanismos utilizados pelo YouTube.

O Conceito de Curadoria de Tendências

A curadoria de tendências é um processo automatizado que seleciona e destaca conteúdos ou temas populares em uma plataforma de mídia digital usando critérios objetivos como número de visualizações e velocidade de crescimento. Esse processo é diferente da curadoria de conteúdo tradicional, normalmente realizada por profissionais qualificados. Enquanto na curadoria de conteúdo um especialista avalia a relevância de informações para atender aos interesses específicos de certos usuários, a curadoria de tendências utiliza algoritmos para comparar o desempenho dos conteúdos entre si dentro de uma plataforma, identificando automaticamente o que está em alta com base em suas métricas.

Como era feita a curadoria de tendências no YouTube

O YouTube oferecia um produto de curadoria de tendências conhecido como Trends nos países de língua inglesa e como "Em alta" no Brasil. O acesso ao produto era feito por meio da URL https://www.youtube.com/feed/trending. Sua interface possuía quatro abas que funcionavam como categorias: agora, música, jogos e filmes.

Visão geral da seção “Em Alta” do YouTube em captura de tela realizada em 23 jun. 2025

Captura de Tela do Em Alta do YouTube em junho de 2025

O "Em alta" era apresentado assim em sua documentação:

A seção "Em alta" mostra aos espectadores o que está acontecendo no YouTube e no mundo. O objetivo dela é destacar vídeos e Shorts que podem agradar vários espectadores. Alguns destaques são previsíveis, como a música nova de um artista famoso ou o trailer de um filme. Outros são surpreendentes, como um vídeo viral. (fonte)

A documentação disponível para o produto informava que as tendências não eram personalizadas para cada usuário, mas sim para cada país, de modo que todos os usuários de um mesmo país viam as mesmas recomendações.

O Fim do "Em Alta" e a Era dos Charts Categorizados

Em julho de 2025, o YouTube anunciou oficialmente o fim da aba "Em Alta" (Trends), recurso que estive disponível na plataforma por quase uma década. A mudança vem sendo implementada progressivamente, com a remoção definitiva ocorrendo em 21 de julho de 2025.

Em substituição ao sistema anterior, a plataforma introduziu um novo modelo baseado em páginas específicas por categoria, conhecidas como YouTube Charts. Este novo sistema representa uma abordagem mais granular e segmentada da curadoria de tendências, oferecendo listas especializadas que incluem:

A principal justificativa apresentada pelo YouTube para esta transformação é o alinhamento com os comportamentos emergentes dos usuários em diferentes categorias de conteúdo. A plataforma argumenta que o consumo de conteúdo tornou-se mais especializado e que os usuários preferem descobrir tendências dentro de nichos específicos de seu interesse, ao invés de uma lista generalista.

De acordo com o comunicado, a maioria dos usuários atualmente descobre conteúdo através de feeds personalizados e algoritmos de recomendação, tornando o modelo tradicional de trending menos relevante. O novo sistema busca permitir a identificação de "micro-tendências desfrutadas por comunidades diversas", oferecendo maior visibilidade a conteúdos que talvez não alcançassem destaque no modelo anterior.

SOBRE

Meu nome é Sergio Mari Jr. e esse é meu blog pessoal.

Sou professor universitário, publicitário e relações públicas, especialista em mídias digitais. Doutor em Ciência da Informação e mestre em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Pesquiso as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e processos de informação e comunicação nas mídias digitais.

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